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Pedro Louceiro - 50 Anos de Alternativa
Um pouco de História.
A corrida de dia 7 de Setembro no Campo Pequeno, na qual tomou Alternativa o cavaleiro Manuel Ribeiro Telles, neto de David Ribeiro Telles, foi um espectáculo de nobreza e arte. Mesmo que os toiros tenham sido pactuantes e voluntariosos na corrida, este evento, envolto num sentimento familiar na passagem de testemunhos, garantiu que a Festa Brava vai continuar.
E se este puto mostrou raça e bravura, cuidado com o seu primo: João Ribeiro Telles Júnior.
Um praticante que tem obtido vários êxitos em arenas espanholas e demonstrou uma escola já adulta no seu alegre e arrojado toureio.
Entretanto, aqui fica o Cartaz para os dias seguintes da Festa Brava em terras portuguesas.
Toiradas à corda
A Terceira é a única Ilha do Arquipélago Açoriano onde existem criações de gado bravo não havendo terceirense indiferente a qualquer manifestação taurina ou que não goste ou não se interesse por toiros. Por isto mesmo, é um dos divertimentos mais característicos e preferidos pelo povo da Terceira.
(saiba mais...)
A época das toiradas à corda começa a 1 de Maio.
A Grande Toirada da época...
dia 22. Numa praça perto de si!
Olhando para o novo Campo Pequeno varreu-se-me a ideia de pegar toiros.
Talvez vacas seja o mais aconselhável. Gordas, velhas, daquelas que não sabem onde gastar os excedentes do porta-moedas.
Ou os novos arquitectos, quem sabe...
A Feira Nacional do Cavalo, em Novembro, na Golegã, é uma região onde o cavalo está profundamente enraizado. A feira é uma das mais típicas do país, à qual assistem milhares de pessoas às diversas demonstrações com o magnífico cavalo puro-sangue Lusitano.
San Sebastian de los Reyes
A segunda mais importante corrida em Espanha. Depois da já celebremente conhecida Corrida de San Fermin.
Conheça um pouco da sua História e outras notícias do "Encierro".
Aqui vamos a intentar dar a conocer uno de los mas bellos artes relacionados con la tauromaquia y que sin embargo no es muy conocido: LOS RECORTADORES!
* Álbum de Fotos
* Multimedia
Em 15 de Maio acontece a Fiesta de San Isidro em homenagem ao padroeiro de Madrid, um dos mais espectaculares eventos de todo o ano com vários concertos e outras performances.
"A terra
se enfurece
ou descansa
quando as maõs do campesino
se distanciam
correndo velozmente ao povoado
onde mulheres
abertas como o mar
o esperam."
San Isidro Labrador
António Poeira despede-se das arenas
O bandarilheiro António Poeira anunciou ao site Toiros e Cavalos que se despedirá das arenas, num festival a realizar dia 26 de Março, em Odemira, de onde é natural.
Neste festival actuarão os cavaleiros Joaquim Bastinhas, Rui Salvador, Luís Rouxinol, Sónia Matias, Vasco Taborda Júnior e o amador Marcos Tenório.
Pegam os grupos de forcados amadores de Lisboa, São Manços e aposento da Chamusca.
As reses a lidar são oferecidas por vários ganaderos.
António Poeira integra actualmente a quadrilha da cavaleira Sónia Matias.
A inauguração da Praça de Touros do Campo Pequeno está prevista ainda para este ano.
O Projecto
- 1250 lugares de estacionamento, que se destinam à população residente, escritórios circundantes e visitantes
- 8 elevadores
- 13 elevadores na Galeria Comercial
- 10 escadas e tapetes rolantes
- 2.144 m2 de restaurantes
- 829 m2 de bares
- mais 16 restaurantes e cafetarias na Galeria
- 8 salas de cinema
- 7.000 m2 de área comercial
- 60 lojas de comércio diversificado
Só falta uma casa de putas e um carrocel. Os balões ofereço eu.
Comemorações do bicentenário de "Paquiro"
A cidade espanhola de Chiclana de la Frontera (Cádiz) vai comemorar, durante todo o ano de 2005, o bicentenário do nascimento do matador de toiros Francisco Montes "Paquiro".
" Francisco Montes Paquiro nació en Chiclana en 1804 y fue el alumno favorito de Pedro Romero. Alto, fuerte y elástico, de largas patillas, fue el torero romántico por excelencia.
Fue un genio de su arte que dominaba todos los estilos; sabía ser sobrio y dominador como los rondeños y barroco, y luminoso como los sevillanos. Saltaba a la garrocha y jugueteaba con los toros con exactitud y brillantez de arcángel. Ordenaba la lidia y a los peones con autoridad y sabiduría de estratega, y la conducía sin fisuras hasta el momento culminante de la muerte. Sin
embargo, mataba atravesado y nunca corrigió este defecto, a pesar del tesón que en ello puso su maestro."
De Frederico García Lorca para "Paquiro"
1
En el café de Chinitas
dijo Paquiro a su hermano:
«Soy más valiente que tú,
más torero y más gitano».
2
En el café de Chinitas
dijo Paquiro a Frascuelo:
«Soy más valiente que tú,
más gitano y más torero».
3
Sacó Paquiro el reló
y dijo de esta manera:
«Este toro ha de morir
antes de las cuatro y media».
4
Al dar las cuatro en la calle
se salieron del café
y era Paquiro en la calle
un torero de cartel.
Golegã, 'capital do cavalo'
A Golegã já está a postos, e devidamente «vestida a rigor», para acolher o maior acontecimento equestre realizado em Portugal. A 29.ª edição da Feira Nacional do Cavalo e VI Feira Internacional do Cavalo Lusitano, que decorrem este fim- -de-semana e de 10 a 14 de Novembro, integradas na secular Feira de S. Martinho, deverão atrair à típica vila ribatejana cerca de um milhão de pessoas e centenas de cavalos.
- Programa
* Um pouco de História
O lugar de Golegã outrora pertença da Vila de Santarém, foi elevado à categoria de Vila por carta de D. João III, datada de 3 de Novembro de 1534. Segundo vários autores, a Vila da Golegã teve origem no tempo de D. Afonso Henriques ou de D. Sancho I, quando uma mulher natural da Galiza e que residia em Santarém veio estabelecer-se com uma estalagem neste local.
Que a Golegã já existia no século XV, parece não haver dúvidas, bem como depois de se haver estabelecido nela a dita Galega, ter passado a denominar-se Venda da Galega, Póvoa da Galega, Vila da Galega e mais tarde por corrupção de linguagem, "Golegã".
A par da importância do lugar em que se situa, a região da Golegã detinha uma das maiores riquezas: um solo fértil: A fama das suas terras chamou muito povo a si, como grandes agricultores e criadores de cavalos.
Dos tempos mais remotos vêm alusões à região, à Quinta da Cardiga que em 1169 foi dada por D. Afonso I à ordem do Templo para arroteamento e cultivo. De século para século foi a mesma sendo doada a outras ordens e, a partir do século XIX, comprada por diversos grandes agricultores.
A partir de 1833, e com o apoio dado pelo Marquês de Pombal, a feira começou a tomar um importante cariz competitivo, realizando-se concursos hípicos e diversas competições de raças. Os melhores criadores de cavalos concentravam-se então na Golegã. No século XIX, com base na valorização agrária da região, a Golegã voltou a ter grande importância para o que muito contribuíram as figuras de dois grandes agricultores e estadistas: Carlos Relvas, fidalgo da Casa Real, grande amigo do Rei, comendador, lavrador, artista, proprietário de diversos estabelecimentos agrícolas e de dois palácios (onde por várias vezes hospedou a família real), e José Relvas, seu filho, imensamente ligado à causa republicana, ministro das finanças e também um grande artista.
Em meados do século XVIII, teve o seu começo a Feira da Golegã, chamada até 1972 Feira de S. Martinho, data a partir da qual passou a denominar-se Feira Nacional do Cavalo. É a Feira Nacional do Cavalo a mais importante e mais castiça de todas as feiras que no seu género se realizam em Portugal e no mundo. Aqui se apresentam todos os criadores, com os seus belos exemplares, razão pela qual, se transaccionam na Golegã, os melhores puro-sangue, criados no País, que são vendidos para vários pontos do globo.
A Golegã há muito que passou a ser a Capital do Cavalo. O dia de S. Martinho, de feira que foi, passou ao mais belo e único espectáculo equestre público que se realiza a nível gratuito entre nós. Ralies, Raids, Jogos Equestres, Campeonatos, Maratona de Carruagens, Exibições, são alguns dos mais belos espectáculos que na Golegã se realizam na sua apresentação do mais belo animal do mundo que é o cavalo. E para complemento da festa justificando o adágio popular que, "Pelo S. Martinho prova o Vinho", não faltarão a água-pé e as sempre apetecidas castanhas assadas.
* Gentileza de Horse fair Lusitano
Toiros de lide *
"Um toiro de lide vive no campo, alimenta-se nos prados e corre pela lezíria, sendo que para um curro de seis muitos mais são criados e a morte dos mais nobres ou mais bravos é a razão da vida dos restantes."
* Opinião de Pedro Magalhães e Menezes in EXPRESSO
FESTAS DO BARRETE VERDE E DAS SALINAS (Alcochete)
"As Festas do Barrete Verde e das Salinas, que substituíram as festas de N. Sra. da Vida, são uma homenagem ao forcado, ao salineiro e ao campino. São organizadas pela agremiação regionalista Aposento do Barrete Verde.
Decorrem anualmente na segunda semana de Agosto, sendo constituídas essencialmente por festividades taurinas, onde as largadas e as corridas de toiros são o seu ponto alto.
Durante as festas, as ruas da zona histórica da vila apresentam toda a beleza e tradição que as festas encerram em si, sendo enfeitadas pela população, com motivos alusivos ao trabalho no campo, às salinas e aos toiros. Um dos momentos mais esperados destas festas é a noite de sábado, com a tradicional noite da Sardinha Assada, durante a qual são oferecidas, nas ruas típicas, sardinhas assadas, pão e vinho.
A vertente cultural também não é esquecida, pois a autarquia organiza diversas iniciativas, destacando-se a exposição de artes plásticas "Alcarte".
A vertente religiosa constitui também um dos pontos significativos das festividades, através da procissão por terra e mar, em que a imagem de N. Sra. da Vida chega à vila a bordo da embarcação típica Alcatejo."
Gentileza da CMAlcochete
Festas de San Fermín em Pamplona
A festa de San Fermín é a mais emblemática de Pamplona. Este ano decorre de 7 a 14 de Julho e um dos pontos altos do evento é o encierro: jovens vestidos de branco e vermelho correm à frente dos toiros, num arriscado desfile até à praça onde, mais tarde, os animais serão lidados por toureiros famosos. Em paralelo, têm lugar a procissão de San Fermín, padroeiro dos navarros, desfiles de cabeçudos, concertos e espectáculos de fogo-de-artifício.
Mas há mais.
Los San Fermines
O San Fermín (ou Sanfermines) é uma das festas mais celebradas da Espanha. Ocorre em Pamplona e, apesar do nome, o santo patrono de Pamplona não é San Fermín (santo francês de vida incerta) mas sim San Saturnino. A data que se celebra também não é a data comemorativa correcta, mas estes são pequenos "erros históricos" sem importância.
No dia 7 de Julho, ou melhor na véspera, começa uma semana de festa popular, concentrada no lado antigo de Pamplona. O começo é o famoso txupinazo, ou lançamento de um pequeno foguete anunciador da festa, feito do terraço principal da Câmara em frente à praça, perante milhares de pessoas.
Popularizada fora da Espanha desde que Ernest Hemingway a mencionou no seu livro Fiesta, publicado em 1926, esta festa dura até o dia 14 de Julho, com as ruas cheias de pamploneses e forasteiros durante todos os dias e noites: música, bebida, comida, festas, toiradas, diversões nas ruas e o perigoso e conhecido encierro. Há também espectáculos infantis, folclore vasco e algumas actuações exóticas.
O Encierro
O encierro consiste em soltar os toiros para que estes percorram um trajecto pré determinado de 850 metros, que acaba sempre na praça de Pamplona. Para percorrer todo o percurso os toiros levam de dois a três minutos. São chamados corredores os homens que percorrem tal trajecto juntamente com os animais. Não se deve mexer com os toiros, nem se deve separar a manada. Os bovinos não perseguem os corredores, mas sim misturam-se os corredores que se colocam na frente dos toiros. Antigamente apenas algumas centenas de jovens, com txapela (boina) e alpargatas pretas e cobertos de capas escuras participavam do encerro. Hoje são milhares os que se apertam nas ruas.
Há desde os corredores profissionais, ou seus aprendizes, que correm há vários anos e são da própria região, estão descansados na hora do encerro, usam os trajes típicos, e sabem o que fazer, sem estorvar os outros corredores, até aos corredores espavoridos, geralmente estrangeiros que não entendem nada, não descansaram para o encerro, passam a noite em festas e estão bêbados, mexem com os toiros, atrapalham os outros, provocam muito perigo.
Para ver o encierro sem participar dele, o melhor a fazer é assistir não da rua, mas das sacadas das casas e edifícios que fazem parte do trajecto.
O encierro surgiu há cerca de 500 anos. Tratava-se somente de transportar os toiros dos currais à praça dos touros, onde se realizava a toirada.
Hoje é a fiesta que se sabe.
"A bola não é a inimiga
como o touro, numa corrida;
e, embora seja um utensílio
caseiro e que se usa sem risco,
não é o utensílio impessoal,
sempre manso, de gesto usual:
é um utensílio semivivo,
de reacções próprias como bicho
e que, como bicho, é mister
(mais que bicho, como mulher)
usar com malícia e atenção
dando aos pés astúcias de mão."
- João Cabral Neto
Trechos literários
A Festa em Coruche nas décadas de 20-30
"As toiradas, nesse tempo, eram quase sempre de graça, e em praças montadas na altura das Festas, pelos lavradores. Havia os sectores sol, para onde iam os criados, e o sector sombra, que tinha camarotes e para onde iam os lavradores com a sua família e amigos.
Era muito bonito ver as entradas de toiros para a praça, mas um ficava de fora para ser picado à vara larga. O campo, naquela época, estava mais limpo de culturas, não havia tantas vinhas, nem tomate, nem arroz, etc. Às vezes o toiro fugia, e então é que era ver toda a cavalaria na sua perseguição, entrando algumas amazonas também na brincadeira. Era um espectáculo digno de ser visto. As pessoas apreciavam-no da avenida ou do Castelo, pois quando o toiro fugia nunca se sabia onde ele iria parar, acontecendo por vezes chegar a hora da corrida e ainda não se saber dele."
in José Luiz Pereira. "Aqui está Coruche". Rio Maior: 1983.
A pega de caras
A pega é um acto artístico que tem de ter beleza e emoção, no pôr o barrete, no citar, no enfrentar, no pegar. E é, dizem os forcados, um prazer indescritível fechar-se um homem na cara do toiro, e ir pela praça fora, aguentando os derrotes, até o grupo acudir e tudo se consumar. É esse prazer enorme que leva o forcado à praça, arriscando a própria vida para o poder desfrutar.
Fico dominado o toiro quando o grupo o faz parar. Sendo bravo o animal, rende-se e entrega-se num gesto de pura nobreza. Se bare e espreneia, se continua a agitar-se, não o faz por ter bravura, mas apenas por ser manso, não é luta que quer dar, o que lhe apetece é fugir. É dos primeiros que os forcados mais gostam, como afinal, toda a gente que sabe apreciar uma corrida de toiros.
Vem depois a volta à arena, se o forcado a merecer. É a consagração ao lado do cavaleiro, que para isso o convidou, e com a quadrilha atrás, recebendo flores e aplausos, sentindo dentro de si uma alegria incontida.
Também pode correr mal a pega de algum toiro e, quando isso acontece, tem o grupo de descobrir um jeito de o pegar, de caras ou de cernelha, o que não pode acontecer é sair o toiro vivo.
Na corrida à portuguesa, que é única no mundo, há um conjunto de aspectos que lhe dão especial encanto. E entre eles sem dúvida destaca-se a pega de caras, homem e toiro sem mais, e o forcado que a faz, moço do povo que somos, pegando a vida de frente.
SEVILHA - Macarena
Às portas do bairro de Marcarena encontram-se as muralhas com o mesmo nome, onde, no arco frontal, uma inscrição em latim nos remete para uma entrada em terrenos celestes. Estes revelaram-se muito particulares ...
Pode ser especulação, mas Hemingway deve ter passado pelo Bairro de Marcarena, numa quinta-feira, o dia do mercado mais antigo e popular de Sevilha (Calle Féria). As personagens que por aqui deambulam e as bodegas (tavernas) um pouco decrépitas lembram-nos os seus contos. Homens ostentam barba por fazer, esfumaçam cigarro atrás de cigarro e bebem em plena rua grandes copos de qualquer bebida transparente (será água ou aguardente?). As mulheres correm aos mercados, coloridos por beringelas e pimentos, entre uma imensidão de legumes e frutas do Mediterrâneo, com a pressa de quem tem uma família para alimentar.
Estamos no coração popular e palpitante de Sevilha, um misto de Graça e Alfama, onde as vozes ecoam alto entre conversas e cantorias. Difícil distinguir o espontâneo da encenação nesta cidade, musa inspiradora de Merimée ou Tirso de Molina!
Entre os fatos de toureiro e flamenco em terceira ou quarta mão, bonecas mutiladas e vinis de música tradicional (é melhor esquecer por uns tempos o rock, pop ou novas tendências), na pequena feira, a Jueves, podemos encontrar algumas preciosidades como fotos antigas de toureiros famosos ou cartazes de corridas de décadas atrás, uma delícia para os interessados no grafismo e estética precursora dos muppies.
Nas artérias circundantes o comércio é fervilhante. A estreita Calle Regina surge como um oásis de produtos orientais e algumas lojas de design, mas, ao largo, noutros caminhos mais calmos, como na Parras, as bodegas e carvoarias preservam a traça antiga e alguns pátios particulares mantêm as suas portas abertas.
O ar desatinado de Marcarena abriga curiosamente espaços de grande devoção religiosa. Desvendar o bairro obriga, por isso, ao conhecimento das suas capelas - a de San Luis é belíssima - e principalmente da Basílica, onde está depositada a imagem da virgem mais famosa de Sevilha, Marcarena.
Capital da tauromaquia, Sevilha encarna o espírito da ''fiesta'' no bairro carismático que é o Arenal - cenário das conquistas de D. Juan e da trágica história de Cármen, a cigana morta à facada por José, o seu amante ciumento (o fado afinal é subtil). É aí que se encontra uma das maiores arenas do mundo, a Plaza de Toros de La Real Maestranza (a mais antiga do país a seguir à de Ronda), onde aos domingos à tarde se cumpre o ritual da corrida. E é também aí que a noite se alonga por entre tapas de peixe frito - uma especialidade da cidade - e vários copos do tinto mais solicitado, o rioja.
Fonte: Rotas & Destinos
No certo sentido que busco,
fica sempre aquele vácuo
a dúvida carinhosa neste suspiro de tempo
o silêncio de amor entre o toureio e o que penso.
É a dúvida acesa no impossível do tempo
É a certeza dum olé ou bravo
não sei se a palavra leva acento
não sei se a vida leva cravo.
Transmissões televisivas
Em Portugal vão longe os tempos em que uma lide tauromáquica prendia à televisão um milhão de espectadores. Será preciso recuar a 1995, quando a 11 de Maio, o primeiro canal da televisão pública transmitiu a Corrida de Touros de Gala à Antiga Portuguesa, em homenagem ao Duque de Bragança, D. Duarte Pio. Nessa noite, a "festa brava", que durou mais de três horas, chegou aos 11,1 por cento de audiência, o equivalente a 996 mil espectadores.
"Os tempos hoje são outros. Há muito maior oferta de espectáculos do que havia há dez ou vinte anos", observa o comentador. Maurício do Vale recorda que há uns anos "não havia cabo, não havia tantas novelas, nem sequer havia a concorrência da televisão espanhola, porque muitos aficcionados portugueses não perdem pitada dos programas espanhóis sobre toiros".
"Por ouro lado, a televisão não promove o espectáculo taurino. A festa tem de ser promovida. O futebol, por exemplo, está às moscas nos estádios, mas resulta na televisão. Nas touradas é ao contrário: as praças estão cheias, cada vez há mais espectáculos, e a televisão não lhes dá o devido destaque", lamenta. Para os aficcionados não restam dúvidas: as touradas são importantes manifestações culturais e merecem ser acompanhadas com dignidade nas televisões.
E para as televisões privadas, será que compensam 600 mil espectadores às onze da noite de domingo? "É evidente que numa televisão privada, a lógica que se sobrepõe é a das audiências, mas também é importante uma aposta na diversidade. E, nesse aspecto, a transmissão de um espectáculo tauromáquico cumpre esse papel", explica o responsável pelos estudos de mercado da TVI, Paulo Soares.
Em sua opinião, "as touradas funcionam como eventos especiais, que, apesar de um volume limitado, têm públicos fiéis e diferentes dos que habitualmente estão com a estação". "De vez em quando é bom refrescar. E apesar de uma transmissão tauromáquica ter menos audiência do que uma novela ou uma série, é positivo apostar nela", conclui.
Pode vir a ser, em 2005, o primeiro matador de toiros açoriano. Pelo menos, Mário Miguel acredita nesse objectivo. Na última temporada, os êxitos sucederam-lhe, com triunfos em Espanha, França e também em terras lusas. O que o faz acreditar que pode alcançar essa meta. Toiradas conversou com o novilheiro que nasceu para a Festa nas tentas, nas ruas e nas praças açorianas, mas que foi crescer para terras estrangeiras, entre Madrid e Vila Franca de Xira.
Largos milhares de pessoas passaram pela Feira Nacional do Toiro nos dois primeiros dias (sexta e sábado, 13 e 14), no Centro Nacional de Exposições, em Santarém.
Foi mais um êxito a somar ao do ano anterior. Por outro lado, temos de reconhecer que a Feira Nacional do Toiro é um novo mercado onde os nossos vizinhos espanhóis se apresentam com grande agressividade e a ganharem sobre todos os aspectos aos poucos expositores portugueses.
Os dois recintos de espectáculos, a praça de toiros desmontável e o picadeiro estiverem sempre repletos de gente entusiasta e durante todo o dias de hoje a situação, estamos convictos, repetir-se-á.
Uma das grandes sensações foi o quadro vivo, muito bem conseguido, com três vacas afilhadas numa cerca onde, a ilusão óptica leva o visitante a supor-se numa bela e longa paisagem de campo, entre sobreiros e outras árvores.
Neste momento a Terceira Feira Nacional do Toiro já mexe, com a equipa liderada por Pedro Torres a, certamente, pensar nos atractivos, diferentes, para 2005.
O matador de toiros português Mário Coelho Júnior cortou uma orelha, na tarde de sábado na arena de Sanlucar de Barrameda (Cádiz), num festival taurino.
Teve como companheiros de cartaz os rejoneadores Diego Ventura (duas orelhas) e José Luís Cañaveral (volta, bem como os diestros Fernandez Meca (duas orelhas), José Luís Moreno (uma orelha), Leandro Marcos (ovação depois de dois avisos) e o novilheiro José António Chipiona (duas orelhas), frente e novilhos-toiros de várias ganadarias.
Mário Coelho que abriu a temporada de 2004 com o festival em questão, admite tourear cerca de 40 espectáculos, com forte possibilidade de se apresentar em Madrid.
A Prosa e os Toiros (4)
Hoje em dia, cada pessoa tem uma ideia e uma mentalidade diferente de todas as outras, certas pessoas acham que as touradas com touros de morte devem ser proibidas, outras, como é o meu caso, acham que a tradição e a cultura devem continua a demonstrar-se da forma mais antiga, com as touradas. Mas os Reis e as Rainhas das touradas não são pessoas normais. São pessoas que pela sua grandeza, destreza e bravura, enfrentam os touros mais brutais sem medo e sem receio. No entanto nem tudo são rosas, muitas dessas pessoas morrem nas mais belas e encantadoras praças e arenas. Morrem ,mas morrem felizes! Porque na maior parte dos casos, foram colhidas no seu auge, quando davam o seu melhor.
Em Portugal, onde nasceram grandes toureiros, cavaleiros e bandarilheiros, a tradição já não é assim tão brutal e violenta. Pois na maior parte das arenas Portuguesas a tauromaquia não inclui os touros de morte, os touros são corridos voltam aos curros daí são levados para o matadouro onde são mortos e a sua carne é transportada para os talhos. Pode parecer que estes artistas têm raiva para de uma forma impiedosa sangrarem-no em frente a milhares de pessoas, mas nem sempre o que parece é real, estas pessoas amam os touros por isso chegaram a toureiros, e digo desde já que não é qualquer pessoa que chega a toureiro. Para se ser toureiro é necessário amar verdadeiramente os touros caso contrário é impossível chegar a toureiro. nasce connosco, a alma tem algo de especial dentro dela, se assim não for o receio e o medo dá conta de nós quando se deparamos com um touro.
Joaquim Bastinhas
A Prosa e os Toiros (3)
A literatura portuguesa tem, em alguns dos seus autores mais conhecidos, o grato prazer de dar a conhecer algumas viagens que passam pela Tauromaquia, através dos seus intérpretes, ou ainda das suas regiões. O Ribatejo é o palco privilegiado das grandes manifestações de índole tauromáquica; berço de toureiros e de forcados; e onde a Lezíria, no seu rico manancial e potencial criador, serve de base à criação cavalar e à manutenção da ganadaria brava.
Em "Portugal" , do grande escritor Miguel Torga, e o texto narrativo que se segue é de uma eloquência extraordinária que merece bem este destaque.
"O Ribatejo deve ser visto das Portas do Sol de Santarém, num dia de cheia, ou das bancadas duma praça de toiros, numa tarde de verão. Num dia de cheia, porque o Tejo hipertrofiado marca-lhe exactamente a extensão e os contornos que a geografia nunca encontrou; numa tarde de toiros, porque é no redondel que se precisa a sua íntima significação. (...)
Mas o espectador atento que do miradouro escalabitano, de onde a arte e a história da cidade espraiam também os olhos, contemple uma inundação, ou numa arena, que conviria ser a de Salvaterra, em homenagem à tradição, assista a uma pega, esse fica a saber não só que apenas a lezíria merece o apetecido e colorido nome, como descobre ainda a alma da própria região. (...)
Mas o toiro que irrompe do curro, negro e luzidio, e o cavalo que o espera, nédio e nervoso entre as esporas do cavaleiro, esses não temem confronto e são o produto específico da terra ribatejana. (...) Na articulação dos três lados do triângulo ¿ campino, cavalo e toiro -, conjugam-se as últimas forças viris que restam a Portugal dos tempos livres da Criação, das eras selvagens e testiculares que a civilização castrou.
As sociedades protectoras de animais quadrúpedes e bípedes têm-se esforçado por negar à vida a legítima afirmação das suas leis profundas. O instinto, porém, protesta ainda. (...) Ora, é no Ribatejo o sítio do mundo onde esse embate é mais belo e natural.
A luta, ali, não é para servir nenhum senhor, ou distrair a atenção inquietante das massas. É um lúdico acto de coragem, alegre e soalheiro. Por sentir que o combate que vai travar não é um fruto do rancor mas o desabrochar de uma espontânea solicitação, o campino veste-se de garridos trajes, ergue na mão um pampilho, o ceptro da sua majestade, o símbolo duma grandeza feita de graça e valentia e, quando soa na praça o clarim da refrega, é assim vistoso e confiado que ele se expõe. E chama festa brava à lide gloriosa!
O toureio português, ribatejano, é a prova de que nem tudo no homem é cobardia de açougue, mistificação vegetariana. (...)
No Ribatejo, porém, às portas da capital, o campino pode dar largas aos seus impulsos sem ferir o semelhante. A natureza conservou-lhe esse dom. O seu colete encarnado é uma mancha quente de sangue e de alegria de atrair a fúria dos bisontes. Num gesto voluntário de puro risco, a força humana lança o desafio, possessa do gosto sensual de viver ou de morrer em beleza no meio de um cenário aberto, fresco e generoso. E é bonito vê-la triunfar, dominar, e marcar a fera com a brasa da coragem que a venceu.
O homem e o meio são solidários na própria fisionomia. (...) Quando na feira da Golegã passa um lavrador a guiar uma parelha, não é só a presunção marialva que ali vai. É ela, o par de bestas e a paisagem que desfilam diante de nós, numa conjugação perfeita do racional, do irracional e do natural. (...)
Na sua planura fofa e ubérrima, na melodia dos seus chocalhos e na harmonia da sua cor, o Ribatejo é um grito de felicidade incontida no corpo da nação. É uma faixa escarlate e briosa à cinta de Portugal."

TOIROS E FADO *
O Fado é por excelência a canção nacional e o seu cariz fê-lo conviver desde muito cedo com a Festa dos Toiros. São inúmeros os trabalhos que nos dão conta da existência da Festa no universo do Fado. Muitos de nós desconhecemos o porquê desta ligação, mas vamos tentar compreendê-la.
O Fado tem essencialmente um cariz popular, nasceu no seio da diversão do povo. As esperas de toiros e as toiradas foram um elemento fulcral na vida lúdica da cidade de Lisboa, praticamente desde o século XIV, mas a própria evolução do espectáculo codifica e amplia a diversão em seu torno. Toda a literatura olisipográfica dá conta da agitação que provocava na cidade a chegada de manadas a serem lidadas nas praças do Salitre e do Campo de Santana. Provenientes da lezíria ribatejana, os toiros eram trazidos por campinos ao longo da estrada do Lumiar, subindo a Calçada de Carriche e atravessando o Campo Grande, ou então através da estrada de Sacavém, que começava à época junto ao cunhal da igreja de Arroios.
Retiros e Restaurantes
Ao longo deste percurso multiplicavam-se os retiros, restaurantes suburbanos, nos quais ao longo da noite anterior à chegada das reses se iam juntando boémios e noctívagos que festivamente aguardavam a agitação matinal. O percurso da manada nos subúrbios e a entrada na cidade constituíam uma espécie de desafio entre os campinos e os populares. Esta constelação de recintos ( tauródromos, retiros e restaurantes no percurso das manadas nos arredores da cidade ) e de práticas ( assistência às Toiradas, noitadas aguardando a chegada das reses, comemorações posteriores ao espectáculo ) e ainda a fruição dos recintos como locais de patuscadas e convívio criam o espaço físico e cultural onde o Fado se irá instalar.
Resulta assim explicado o porquê de o universo tauromáquico ser originariamente próximo do Fado, o que se reflecte naturalmente nas suas letras e imaginário.
Povo e Aristocratas
Mas interessa ainda salientar que, em torno deste universo tauromáquico, se gera igualmente uma situação, com alguns traços de originalidade, que é o convívio e cumplicidade entre o meio fadista, povo, e certos sectores da aristocracia. A lide a cavalo com origem na aristocracia, cria uma situação ambígua, em que, se por um lado o protagonista central do espectáculo, o cavaleiro, é inevitavelmente um aristocrata, ele assume perante a assistência, e nomeadamente a assistência popular, onde mais tarde nasceu o habito de pegar touros após a lide, a dúbia condição de aristocrata, mas também de artista face ao seu público.
O acontecimento era motivo mais que suficiente para que no convívio pós taurino se cantasse o que se vivera anteriormente. Assim tem sido ao longo dos tempos. O então trovador e o actual poeta escreve o que lhe vai na alma.
Fados e Toiros Cartazes Turísticos de Portugal
Fados e Toiros são indiscutivelmente cartazes turísticos de Portugal. Um e outro estão ligados por laços indestrutíveis. Foram os toiros que apadrinharam o Fado, que o ajudaram a tornar-se conhecido. Assim fadistas e toureiros estão ligados há vários séculos por um amor comum: o Fado. Por isso o Fado exalta nos seus versos as figuras do toureio e os próprios toureiros dão voz ao Fado. Uma paixão simultânea.
* Colaboração de Catarina Bexiga
Alves Redol *
Naquela noite a lezíria é um mar de silêncio, donde só emerge um fio de música, que o vento faz ondular em vagas. Sem saber os caminhos que pisa, um campino vai ao seu encontro, levado pelo passo lento duma égua pigarça, cansada como ele, de solidão.
Tonto de amor e de juventude, o oiro das searas que atravessa queima-lhe a pele crestada; e um gabão tecido de noite e estrelas cobre-lhe os ombros.
Há no ar um cheiro áspero que o excita e lhe faz apetecer as coisas mais simples da vida lezirenta. Gostaria de levar na garupa da sua égua a carmela que ontem lhe deu água do rancho da monda e sentir as suas mãos apertadas na cintura, em vez da faixa vermelha, e ir com ela depois, quando ambos o desejassem, adormecer num coxim de espigas e papoilas. Mas a serrazina do harmónio trá-la para si, com a saia curta pelo meio da coxa morena e aquele sorriso envergonhado e picante, que ele leva agarrado aos olhos. E por isso o campino tonto de amor vai ao encontro da música e da carmela que o espera. Só lhe disse «bom dia», mas tem a certeza de que a rapariga não bailou ainda, para olhar, inquieta, a porta do aposento por onde ele irá entrar.
E já é tarde.
Um toiro negro malacutão, o Príncipe, fugiu-lhe da manada, saltando os moirões da pastagem, e foi, carril abaixo, meter-se na tapada das vacas. Acossando-o na ponta do pampilho, num galope que esfarpou a lezíria de gritos selvagens, o campino fê-lo voltar à pastagem, onde os outros o receberam de cornos em riste. Ele sabe, que mais dia menos dia, o Príncipe e um toiro salgado, de morrilho farto, o Andorinho, irão lutar pela chefia da manada; e que um deles morrerá sem piedade, enganchado nas hastes do outro ¿ talvez o Príncipe, porque não há toiro que goste dele, e o círculo que os outros farão à volta dos dois, proporcionando lugar para a luta, não se abrirá para lhe dar a fuga e protegê-lo.
Aquela ideia excita. E dá de esporas à égua, que dispara numa carreira, levando consigo, em farrapos, o gabão de noite e estrelas que trazia sobre os ombros.
Quando chega à porta do aposento das mulheres, lá estão os olhos tristes da carmela à sua espera. Pimpão, atira a jaqueta para cima duns alforjes e acena a cabeça para a cachopa.
O harmónio toca um fandango.
Ele rompe por entre os grupos, acotovela um dos dançarinos, para que lhe dê o lugar, e, metendo os polegares nas cavas do colete, salta que nem um gamo à frente do outro; bate com os calcanhares, de busto rijo empinado, enquanto as pernas rendilham fantasias e o carapuço verde lhe saltita no dorso. Não tira o olhar doirado da carmela, que já lhe sorri, e sabe agora que a levará na garupa da sua égua pigarça, para noivarem num coxim de espigas e papoilas.
Tonto de amor e de juventude, a faixa vermelha cai-lhe da anca fina e escorre para o chão, como se fosse uma golfada de sangue.
* In Olhos de Água
Terceira
Foi pena que pelos Açores nunca tivesse passado uma estrada vinda de Paris, ao longo da qual Ernest Hemingway pudesse vaguear a sua sede de aventuras. (Joel Neto)
Toiradas à corda
É a Terceira, a única Ilha do Arquipélago Açoriano onde existem criações de gado bravo, não havendo terceirense indiferente a qualquer manifestação taurina ou que não goste ou não se interesse por toiros.
Por isto mesmo, é um dos divertimentos mais característicos e preferidos pelo povo da Terceira.
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O Aficionado...
Tem em si a paixão dos toiros, não perde uma boa corrida, fala delas com entusiasmo, emociona-se com o trinar de uma guitarra e com os versos de um fado ribatejano, sente-se bem nas tertúlias, tem afeição pela Festa, afición, como na gíria se diz, a Festa está-lhe no sangue, faz parte da sua vida.
Lamenta que a Festa nem sempre seja entendida, que haja tão pouca cultura taurina, que se evidenciem os fracassos, as colhidas, os toiros mansos, em vez dos êxitos, dos triunfos, da nobreza dos animais. E diz que a maior parte dos que se manifestam contra as touradas não sabem nada de toiros, falam de um mundo que não entendem, prestam um mau serviço à cultura portuguesa.
Se lhe perguntamos o que o leva a uma corrida, responde em quatro palavras: a emoção, a arte, a surpresa, o toiro. 0 toiro, o toiro é um animal extraordinário, sem igual na Criação. 0 toiro merece tudo. A afición, é por ele.
... e as Tertúlias
Há amigos que se juntam, no remanso do defeso, em longas noites de Inverno, ao calor de uma lareira num ambiente taurino, com uma guitarra à mão, uns petiscos para assar, um tinto colheita caseira e uma grande vontade de conviver, com a Festa de toiros por cenário, na parede e na conversa. É a tertúlia um dos mais castiços espaços da cultura da Borda D´Água, o campo, o toira e a festa trazida para dentro de casa.
Forcados, bandarilheiros, aficionados, gente que gosta de toiros e de cavalos, sentam-se à volta da mesa e, dadas as boas noites e feito, se é que se fez, um breve comentário ao tempo que anda fazendo, às chuvadas deste Novembro, vai a conversa para os toiros. É deles que gostam de falar, que gostam e que sabem, e falam para aprender mais, ums com os outros, a tertúlia é uma assembleia de cultura taurina onde a gente se sente bem.
Às vezes discute-se com calor, discorda-se, formam-se grupos de opinião, toma-se partido por esta ou por aquela, há quem seja mais adepto deste toureiro ou do outro, deste estilo ou daquele. Dantes, nos tempos de Diamantino Vizeu e de Manuel dos Santos, até havia os diamantinistas e os santistas que, nas noites de tertúlia, combatiam entre si, esgrimindo argumentos, apresentando razões, mas amigos, amigos sempre.
Passa-se em revista a temporada que lá vai, fazem-se prognósticos para a próxima, vêm à conversa as ganaderias e os produtos que delas saem, os sementais que se adquiriram para refrescar a manada, quem diz toiros diz cavalos, aquele fora de série que acabou de ser comprado pelo cavaleiro tal para renovar a sua quadra, a Feira da Golegã que passou há pouco tempo e o que ela nos deu a ver e aquela festa de campo, na Azinhaga vizinha.
Há sempre umas revistas de toiros e de cavalos, por onde se passam os olhos e que se vão comentando, enquanto a morcela assa, no braseiro da lareira, e se depenica uma azeitona ou um pedaço de queijo. Até que a certa altura, lá mais para o meio da noite, há uma guitarra que trina e toda a gente se cala. Acabou a discussão, se a havia, faz-se um silêncio de respeito, já se apagaram as luzes, ficou só o lume aceso e duas, três velas que ardem, adormecidas. Chegou a hora do fado, uma pausa para fechar os olhos e ir ao fundo da nossa alma.